Guia Myanmar – NÃO perca seu tempo no Monte Popa

Se você quer ir para a Birmânia (Myanmar)  e lê Lonely Planet avidamente, você vai folhear o livro procurando lugares recomendados para visitar, e vai se encantar por antecipação com os parágrafos poéticos sobre todas as cidades e suas atrações. E cada texto é tão cheio de mágica, mistério e exoticismo, que você vai vai ficar com medo de não perder nada, inclusive lugares como o Monte Popa.

É de entender. Afinal, essa é a descrição oficial:

“Você subirá num impressionante vulcão, através de uma trilha de 700 degraus coberta por lava sólida e cheia de macacos, chegando um templo no topo, com maravilhosas vistas de toda a área, incluindo Bagan. O templo é o ponto principal de peregrinação para os últimos Nat, uma minoria étnica esquecida”.

E esta, meus amigos, é a realidade:

Em momento algum pareceu que aquela colina coberta de lixo tinha alguma vez foi um vulcão.

DSC_0898

 

Juntamente com os arredores, parecia mais uma construção semelhante a uma favela de morro. Absolutamente nada de especial sobre o lugar.
Desde o começo, você passa por inúmeras galerias vendendo souvenirs aleatórios, desde camisetas do Monte Popa (uma delas, para mulher, tinha os dizeres “❤️. Eu sou o cara certo. Monte Popa”) até ukeleles de brinquedo a 2 dólares, mulheres vendendo sopa, bebidas, plantas medicinais e tanaka.

 

DSC_0946

 

O famoso livro francês Le Guide du Routard descreve os degraus (que, obviamente, por serem parte de um templo, você precisa pisar descalç@) como “sujos”, o que é verdade em alguns momentos (dá para ver umas pocinhas de xixi de macaco), e em outras partes da escadaria, você encontra alguém passando esfregão nos degraus, e claro, pedindo dinheiro pelo “serviço”.

Em dado momento eu ouvi só um “Pss! Pss!”, e olhei para a cara do homem simplesmente apontando para a caixa de donativos. Em momento algum dá a impressão de que você está em um lugar espiritual.

 

DSC_0925

DSC_0910

É impressão minha ou parece que esse cara está te metendo medo para você deixar dinheiro?

 

Falando em macacos, você só vê alguns na base, com aspecto triste e doente, o que não é de surpreender, dada a visão deprimente de visitantes locais dando a eles bananas, lentilhas, balas industrializadas, refrigerante e JORNAIS.

 

DSC_0941

 

Tão deprimente – conforme dito antes – é a quantidade de lixo que rodeia o lugar. “Vulcão inativo” poderia ser descrito de maneira muito mais acurada, neste caso, como “aterro”.

 

DSC_0935 DSC_0936

 

E no que diz respeito às vistas, talvez foi um dia ruim, mas havia uma cortina de neblina a uns 5km, impossibilitando a vista de qualquer coisa mais longe.

 

DSC_0927

 

E aqui vocês podem ver toda a “espiritualidade” das pessoas que doaram dinheiro em troca de uma placa contendo o nome delas, o país, e a quantidade que elas doaram, em dólares:

 

DSC_0930

Como se não bastasse, o custo desse passeio saindo de qualquer hotel em Bagan é de 10.000 kyat, ida e volta, e não existe nenhum outro jeito de ir, a menos que você alugue um carro. Ônibus locais são igualmente caros para turistas, então você pagaria 3.000 kyat de Nyaung-U a Kyapadaung + 3.000 de lá até Popa, ou seja, 12.000 ida-e-volta, sem te buscar nem te deixar de volta no hotel.

 

O motorista da excursão para estrategicamente, no caminho de volta, em uma cabana na estrada onde você “pode” comprar doces de açúcar de palma e aguardente de palma (a insistência é constrangedora), e continua por uma estradinha de terra ladeada por locais que gritam para o ônibus, o que o motorista explicou que eles fazem esperando receber dinheiro porque sim (e pelo jeito, já que alguns turistas adoram “fazer essa caridade”, mais e mais habitantes locais vão se inclinar à mendicância, tornando-se cada vez mais agressivos para conseguir dinheiro dos turistas e viajantes).

 

Um passeio totalmente dispensável.

______________________________________________________

Esse foi o dia 42 do meu mochilão de 10 meses. 

** Para compartilhar suas histórias de viagens, ou para saber como eu larguei meu emprego nove-às-seis e vendi todas as minhas coisas para viajar pelo mundo, una-se ao meu grupo de Facebook**

Comments

comments

Leave a Reply

es_ES
pt_BR
en_US