Domando o mamute: por que você deve parar de ligar para o que os outros pensam

*Texto original do incrível Tim Urban, do blog waitbutwhy.com. Este post tem apenas a intenção de compartilhar as maravilhosas ideias do Tim com o público que não fala inglês. Leia o original aqui.

Parte 1: Deixa eu te apresentar ao seu Mamute

O primeiro dia de aula de quando eu estava na 2a. série, eu cheguei na escola e percebi que tinha uma menina nova na classe, muito linda – alguém que não tinha estado lá nos 2 anos anteriores. O nome dela era Alana, e uma hora depois, ela já era tudo para mim.

Quando você tem 7 anos de idade, não existe nenhum tipo de atitude que você possa tomar em relação a alcançar seu objetivo quando você está apaixonado por alguém. Você não sabe nem que tipo de resultado você quer levar dessa situação. Só existe esse desejo amorfo que é parte da sua vida, e isso é tudo.

Mas para mim, isso virou relevante de repente, uns meses depois, quando durante o recreio um dia, uma das meninas da classe começou a perguntar para os meninos: “Com quem vocêêê quer casar?” Quando ela perguntou para mim, a resposta foi fácil. “Alana.”

Desastre.

Eu ainda era novo nessa coisa de ser um humano, e eu não sabia que a única resposta socialmente aceitável era: “Ninguém.”

No mesmo segundo em que eu respondi, aquela menina odiosa saiu correndo para os outros alunos, contando para cada um: “O Tim falou que ele quer casar com a Alana!” Cada pessoa para quem ela contou cobriu a boca com uma gargalhada incontrolável. Tinham acabado comigo. A vida tinha acabado.

A notícia logo chegou na própria Alana, que se manteve tão longe de mim quanto possível por dias depois daquilo. Se ela soubesse o que era uma ordem de restrição, ela teria pedido uma.

Essa experiência horrível me ensinou uma lição de vida valiosa – pode ser mortalmente perigoso ser você mesmo, e você precisa ter extremo cuidado social o tempo todo.

Bom., isso pode parecer algo que só um aluno de 2a série traumatizado pensaria, mas o curioso, e o tópico desse post, é que essa lição não se limita apenas a mim e ao meu desastre de infância – é uma paranóia que define a espécie humana. Nós compartilhamos uma insanidade coletiva que pervade as culturas humanas ao redor do mundo:

Uma obsessão irracional e improdutiva com o que as outras pessoas pensam de nós.

A evolução faz tudo por um motivo, e para entender a origem dessa insanidade em particular, vamos voltar no tempo por um minuto para 50.000 Antes de Cristo, na Etiópia, onde seu Tatata2,000 ravô  vivia como parte de uma pequena tribo.

Naquela época, ser parte de uma tribo era essencial para a sobrevivência. Uma tribo significava comida e proteção em uma época em que nenhuma dessas duas coisas era fácil de conseguir. Então para o seu Tatata2,000 ravô, quase nada no mundo era mais importante do que ser aceito pelos outros membros da tribo, especialmente os membros que tinham uma posição de autoridade. Encaixar com aqueles que estavam ao redor dele e agradar quem estava acima dela significava que ele podia ficar na tribo, e um dos piores pesadelos que ele poderia imaginar seria as pessoas da tribo dele começarem a cochichar sobre o quanto ele era chato, ou improdutivo, ou esquisito – porque se suficientes pessoas o desaprovassem, a posição dele na tribo ia cair, e se a coisa ficasse realmente feia, ele seria expulso completamente, e abandonado para morrer. Ele também sabia que se ele alguma vez passasse a vergonha de ir atrás de uma moça da tribo e fosse rejeitado, ela comentaria com as outras — ou seja, não só ele teria arruinado as chances dele com aquela moça, como também talvez ele nunca fosse ter uma parceira, porque todas as moças que ele conhecesse iam saber daquela tentativa ridícula e fracassada dele. Ser aceito socialmente era tudo.

Por causa disso, os humanos desenvolveram uma obsessão exacerbada com o que os outros pensavam deles – uma ânsia de aprovação social e admiração, um medo paralisante de não gostarem da gente. Vamos chamar essa obsessão de O Mamute da Sobrevivência Social do ser humano. Ele é mais ou menos assim:

 

O Mamute da Sobrevivência Social do seu Tatata2,000 ravô era parte central na capacidade dele de aguentar e prosperar. A regra era simples: mantenha o mamute bem alimentado com aprovação social e preste muita atenção nos medos esmagadores de não-aceitação que ele tem, e vai estar tudo certo para você.

E isso fazia todo o sentido e era excelente em 50.000AC. E em 30.000AC. E em 10.000AC. Mas uma coisa curiosa aconteceu com os humanos nos últimos 10.000 anos: a civilização deles mudou dramaticamente. Mudanças rápidas, repentinas, são algo que a civilização tem a capacidade de fazer, e a razão pela qual isso pode ser um pouco embaraçoso é que a nossa biologia evolucionária não consegue acompanhar na mesma velocidade, não chega nem perto. Então, enquanto durante a maior parte da História, tanto a nossa estrutura social como a nossa biologia evoluiram e se ajustaram a passo de tartaruga caminhando lado a lado, a civilização recentemente desenvolveu as capacidades de velocidade de uma lebre, enquanto que a biologia continuou se arrastando como uma lesma.

Nossos corpos e nossas mentes estão desenhados para viver em uma tribo em 50.000AC, o que deixa os humanos modernos com uma série de características desafortunadas, uma das quais é a fixação com sobrevivência social no estilo tribal, em um mundo onde sobrevivência social já não é um conceito relevante. Estamos todos aqui, em 20141, acompanhados por um acompanhados por um mamute peludo, enorme, faminto e facilmente assustável, que ainda acha que estamos em 50.000AC.

Que outra razão existiria para você experimentar 4 roupas e ainda não saber o que usar para sair?

 

Os pesadelos do mamute sobre rejeição amorosa tornaram seus ancestrais cautelosos e entendidos, mas no mundo de hoje, eles só fazem de você um covarde:

E nem me fale no horror que o mamute tem a correr riscos artísticos:

 

O furacão de medo de desaprovação social do mamute é um fator de influência na maior parte da maioria das pessoas. É ele que faz você se sentir esquisito(a) de ir ao cinema ou a um restaurante sozinho(a); é ele que faz com que pais dêem um pouco de importância demais sobre que faculdade os filhos fazem; é ele que faz você desencanar de uma carreira que você adoraria em favor de uma carreira mais lucrativa que você meio que acha que até pode ser ok; é ele que faz com que você se case antes de estar pronta(o) com uma pessoa por quem você não está apaixonada(o).

E ao mesmo tempo que manter seu Mamute da Sobrevivência Social, que é altamente inseguro, se sentindo calmo e em segurança dá um trabalho enorme, essa é apenas a metade das suas responsabilidades. O mamute também precisa ser alimentado regularmente e robustamente: com elogios, aprovação, e o sentimento de estar do lado certo de qualquer dicotomia moral ou social.

Por que outra razão você ia ser esse(a) babaca que fica manipulando a própria imagem no Facebook?

Ou ficar se gabando para os seus amigos, mesmo se você acaba sempre se arrependendo depois?

A sociedade evoluiu para acomodar esse frenesí de alimentação do mamute, inventando coisas como prêmios de honra ao mérito, títulos e o conceito de prestígio, para poder manter o mamute satisfeito – e frequentemente para incentivar pessoas a fazer serviços sem propósito e viver vidas insatisfatórias que de outra forma elas não considerariam ou aceitariam.

Acima de tudo, o mamute quer encaixar – isso é o que os cavernícolas sempre tinham precisado fazer, então é assim que eles foram programados. Mamutes olham ao redor para a sociedade para perceber o que eles têm que fazer, e quando fica claro, eles se jogam de cabeça. Dá só uma olhada nessas duas fotos de grêmios de faculdade tiradas com 10 anos de diferença.

frat

Ou todas aquelas subculturas onde toda e cada uma das pessoas tem um dos três únicos diplomas de ensino superior socialmente aceitáveis:

Diploma

 

Às vezes, o foco do mamute não está tanto na sociedade de um modo mais amplo, mas em ganhar a aprovação do Mestre Fantocheiro na sua vida. Um Mestre Fantocheiro é uma pessoa ou grupo de pessoas cujas opiniões importam tanto para você que elas basicamente arruinam a sua vida. Um Mestre Fantocheiro é geralmente um pai, uma mãe, ou namorado/namorada, ou às vezes um membro alfa do seu grupo de amigos. 2. Um Mestre Fantocheiro pode ser uma pessoa que você admira mesmo sem conhecer muito bem – talvez até uma celebridade que você nunca conheceu – ou um grupo de pessoas que você tem em alta conta de uma forma especial.

Nós desejamos a aprovação do Mestre Fantocheiro mais do que a de qualquer outra pessoa, e ficamos horrorizados só de pensar que estamos deixando o Mestre Fantocheiro chateado ou contrariado, ou só de sentir a não-aceitação ou ridicularização dele, tanto que somos capazes de fazer qualquer coisa para evitar isso. Quando chegamos nesse estágio tóxico da nossa relação com um Mestre Fantocheiro, a presença dessa pessoa paira sobre todo o nosso processo de tomada de decisões, e puxa as cordinhas das nossas opiniões e da nossa voz moral.

Com tanto pensamento e energia dedicados às necessidades do mamute, você sempre acaba negligenciando outra pessoa dentro do seu cérebro, alguém que mora bem no centro: a sua Voz Autêntica.

AV

 

Sua Voz Autêntica, em algum lugar lá dentro, sabe tudo sobre você. Em contraste com a simplicidade preto-no-branco do Mamute da Sobrevivência Social, a sua Voz Autêntica é complexa, às vezes nebulosa, constantemente evoluindo, e destemida. Sua VA tem um código de moral próprio e matizado, formado através da experiência, reflexão, e sua visão própria sobre compaixão e integridade. Ela sabe como como você se sente bem lá no fundo sobre coisas como dinheiro, família, casamento, sabe que tipos de pessoas, tópicos de interesse e tipos de atividades você gosta de verdade, e quais você não gosta. Sua VA sabe que ela não sabe como a sua vida vai ou deveria se desenrolar, mas ela tende a ter uma intuição forte sobre qual é o próximo passo correto a tomar.

E enquanto o mamute olha apenas para o mundo exterior em seu processo de tomada de decisões, sua Voz Autêntica usa o mundo exterior para aprender e coletar informações, mas quando chega a hora de tomar uma decisão, ela tem todas as ferramentas necessárias bem lá, no núcleo do seu cérebro.

A sua VA também é alguém que o mamute tende a ignorar por completo. Uma opinião forte vinda de uma pessoa auto-confiante no mundo exterior? O mamute é todo ouvidos. Mas um argumento empolgado e cheio de paixão vindo da sua AV é completamente dispensado até que outra pessoa o valide.

E já que os nossos cérebros de 50.000 anos estão programados para dar ao mamute um grande poder de influência, a sua Voz Autêntica começa a se sentir irrelevante. O que faz com que ela encolha e perca motivação.

AV

 

Eventualmente, uma pessoa operada pelo mamute pode perder totalmente o contato com a VA dela.

Em épocas tribais, as VAs geralmente passavam suas vidas no silêncio da obscuridade, e estava tudo certo. A vida era simples, e a conformidade era o objetivo – e o mamute tinha a conformidade totalmente sob controle.

Mas no mundo vasto e complexo de hoje, com diferentes culturas, e personalidades, e oportunidades, e opções, perder o contato com a sua VA é perigoso. Quando você não sabe quem realmente você é, o único mecanismo de tomada de decisões que te resta são as necessidades e emoções toscas e ultrapassadas do seu mamute. Quando o assunto são questões mais pessoais, em vez de cavar fundo no cerne anuviado do que você realmente acredita para encontrar claridade, você vai esperar que as respostas venham de outras pessoas. Quem você é acaba se definindo por uma fusão das opiniões mais fortes sendo emitidas ao seu redor.

Perder contato com sua VA também te torna frágil, porque quando a sua identidade se constrói em cima da aprovação dos outros, ser criticada ou rejeitado por outros magoa de verdade. Um término de relacionamento é doloroso para qualquer um, mas ele fere em um lugar muito mais profundo para uma pessoa operada pelo mamute do que para uma pessoa com uma VA forte. Uma VA forte faz seu núcleo forte, e depois de um término, esse núcleo ainda está firme e forte – mas como a aceitação dos outros é tudo o que uma pessoa operada pelo mamute valoriza na vida, tomar um fora de uma pessoa que te conhece bem é uma experiência muito mais devastadora.

Da mesma forma, sabe aquelas pessoas que reagem a serem criticadas com comentários desnecessários e de baixo calão? Essas pessoas tendem a ser gravemente operadas pelo mamute, e críticas as deixam tão furiosas porque o mamute não consegue lidar com críticas.

Low Blow

Nessa altura, a missão deveria estar clara: precisamos achar um jeito de reprogramar os comandos do nosso cérebro e domar o mamute. É a única forma de retomar as rédeas da nossa vida.

Parte 2: Domando o Mamute

Algumas pessoas nasceram com um mamute razoavelmente domado, ou foram criadas por pais que ajudaram a manter o mamute sob controle. Outros morrem sem nunca terem domado o mamute, passando a vida inteira à mercê dos caprichos dele. A maioria de nós está em algum ponto intermediário: temos o controle do mamute em certas áreas das nossas vidas, enquanto ele toca o terror em outras. Ser operado pelo seu mamute não faz de você uma pessoa má ou fraca, apenas significa que você ainda não descobriu uma forma de dominá-lo. Pode ser que você nem sequer tenha se dado conta de que você tem um mamute, para início de conversa, ou de até que ponto a sua Voz Autêntica foi silenciada.

Qualquer que seja a sua situação, aí vão 3 passos para manter seu mamute sob o seu controle:

Passo 1: Examine-se a si mesmo

O primeiro passo para melhorar as coisas é uma análise clara e honesta do que passa pela sua cabeça, e esse é um procedimento de 3 partes:

1) Conheça a sua Voz Autêntica

meet AV

Isso não parece tão difícil, mas é. É preciso muita reflexão para se embrenhar por entre as teias de pensamentos e opiniões das outras pessoas e descobrir quem genuinamente é o verdadeiro você. Você passa tempo com muita gente – quais dessas pessoas você realmente gosta mais? Como você passa o seu tempo de lazer, e você realmente aprecia todas as partes dessas atividades? Existe algo em que você regularmente gasta dinheiro que te deixa se sentindo mal ou meio desconfortável? Como você realmente se sente, no seu âmago, em relação ao seu emprego e ao seu status de relacionamento? Qual é a sua verdadeira opinião política? É algo com que você nem sequer se importa? Você finge se importar com coisas para as que você não liga só pela necessidade de ter uma opinião? Você tem secretamente uma opinião em alguma questão política ou moral que você nunca expressa porque gente que você conhece vai se sentir ultrajada?

Existem termos cliché para esse processo: “busca na alma”, “se encontrar”, mas é exatamente o que precisa acontecer. Talvez você possa fazer essa reflexão sentado na cadeira em que você está sentado agora mesmo, ou em qualquer outro momento da sua vida cotidiana – ou talvez você precise ir para algum lugar longínquo, sozinha, e se distanciar da sua realidade para conseguir examinar sua vida com eficácia. De qualquer forma, você precisa descobrir o que é que realmente importa para você e começar a se sentir orgulhosa de quem quer que a sua Voz Autêntica seja.

2) Descubra onde o mamute está escondido

mammoth hiding

Na maior parte das vezes em que o mamute está no comando de uma pessoa, a pessoa não tem muita consciência disso. Mas você não consegue fazer progressos se você não tiver muito claro quais são as principais áreas problemáticas.

A maneira mais óbvia de encontrar o mamute é descobrir onde está o seu medo. Onde é que você é mais suscetível a passar vergonha? Sobre que partes da sua vida você pensa e um sentimento aterrorizante e afundante te inunda? Onde é que a perspectiva de fracasso parece um pesadelo? O que é que você é muito tímida para tentar em público, mesmo sabendo que você é boa nisso? Se você tivesse que se dar conselhos a você mesma, que partes da sua vida claramente pediriam uma mudança que você está evitando fazer nesse momento?

O segundo lugar onde o mamute se esconde é detrás das sensações exageradamente boas que você tem quando se sente aceito ou colocado em um pedestal. Você é uma pessoa que quer agradar todo mundo no trabalho ou no seu relacionamento? Você morre de medo de desapontar seus pais e você escolhe deixá-los orgulhosos em detrimento da sua própria gratificação pessoal? Você fica super empolgado com a ideia de ser associado com coisas prestigiosas ou se importa demais com status? Você fica se gabando mais do que deveria?

Uma terceira área onde o mamute está presente é qualquer lugar em que você não se sinta confortável em tomar uma decisão sem a “permissão” ou aprovação dos outros. Você tem opiniões que você fica regurgitando da boca de outra pessoa, que você se sente segura em ter agora que você sabe que aquela pessoa tem? Quando você apresenta a sua nova namorada ou novo namorado para os seus amigos ou sua família pela primeira vez, a reação dessas pessoas a essa nova pessoa é capaz de modificar os seus sentimentos por ele/ela? Existe um Mestre Fantocheiro na sua vida? Se sim, quem é, e por quê?

3) Decida onde o mamute deve ser expelido

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Não é realista dar um pé na bunda do mamute e tirá-lo da sua cabeça completamente – você é um ser humano, e seres humanos têm mamutes na cabeça, ponto. A coisa que todos nós precisamos fazer é esculpir certas áreas sagradas das nossas vidas que precisam estar nas mãos da VA e livres da influência do mamute. Existem áreas óbvias que precisam tornar-se parte dos domínios da VA, tais como a escolha da pessoa que vai ser sua parceira de vida, a escolha da sua carreira e trajetória profissional, a forma com que você educa os seus filhos. Outras áreas são pessoais – tudo se resume na questão “Em que partes da sua vida você precisa ser inteiramente fiel a si mesma(o)?”

Passo 2: Junte coragem internalizando o fato de que o mamute tem um QI baixo

Os mamutes peludos reais eram tão pouco impressionantes que eles foram extintos, e o Mamute da Sobrevivência Social não é muito melhor. A pesar do fato de que eles nos assombram tanto, nossos mamutes são criaturas burras e primitivas que não têm nenhum entendimento do mundo moderno. Entender isso profundamente – e internalizar esse entendimento – é um passo-chave para domar o seu. Existem duas razões principais para não levar seu mamute a sério:

1) Os medos do mamute são totalmente irracionais.

5 coisas sobre as quais o mamute está completamente errado:

Todo mundo está falando sobre mim e sobre a minha vida, e imagina o quanto mais todo mundo vai falar sobre mim se eu fizer essas coisas arriscadas ou diferentes.

Isso é como o mamute acha que as coisas são:

Isso é como as coisas realmente são:

Ninguém se importa muito com o que você está fazendo. As pessoas são altamente egocêntricas.

Se eu me esforçar bastante, eu consigo agradar todo mundo.

Talvez, se for em uma tribo de 40 pessoas com uma cultura unificada. Mas no mundo de hoje, não importa quem você seja, várias pessoas vão gostar de você, e várias não vão. Ter a aprovação de um tipo de pessoa significa ser desaprovado por outro tipo. Então, ficar obcecando com encaixar em qualquer grupo de pessoas é ilógico, especialmente se esse griupo não é realmente que você é. Você vai gastar toda essa energia, e enquanto isso, seu verdadeiro grupo de pessoas preferido está por aí sendo amigos uns dos outros em algum outro lugar.

Ser desaprovado ou menosprezado ou gente falando mal de mim tem consequências reais na minha vida.

Qualquer pessoa que desaprova quem você é ou o que você faz não está nem no mesmo ambiente que você 99.7% do tempo. É um erro clássico do mamute fabricar essa visão de consequências sociais futuras que são muito piores do que na verdade acaba acontecendo – que é geralmente absolutamente nada.

Pessoas que sempre ficam julgando os outros importam.

As pessoas que sempre ficam julgando os outros funcionam assim: Elas são altamente operadas pelo mamute e fazem amizade e namoram com outras pessoas que ficam julgando os outros, que também são altamente operadas pelo mamute. Umas das atividades principais que essas pessoas fazem juntas é ficar falando merda dos outros pelas costas, de qualquer pessoa que não esteja lá com eles – talvez eles até sintam algum tipo de inveja, e desaprovações e viradas e olhos as ajudem a inverter os fatos e a se sentirem menos invejosas, ou talvez elas não sejam invejosas e usem alguém como veículo para se banhar em schadenfreude— mas qualquer que seja o sentimento que esteja por trás, o julgamento serve para alimentar o mamute faminto deles.

 

Quando as pessoas falam mal dos outros, elas estabelecem uma divisão de categorias em que elas são estão do lado certo. Elas fazem isso para criarem um pedestal para elas mesmas subirem, e onde o mamute pode comer à vontade.

Claro que ser o material que as pessoas que ficam julgando os outros usam para se sentir bem com elas mesmas é bastante revoltante – mas não tem nenhuma consequência real, e claramente é algo que fala muito mais sobre o problema dessa pessoa e do mamute dela do que sobre você. Se você se pegar tomando decisões parcialmente com base em evitar que uma pessoa que fica julgando os outros fale mal de você, analise bem o que está realmente acontecendo e pare.

Eu vou ser má pessoa se eu desapontar ou ofender a pessoa / pessoas que me amam e que fizeram tanto por mim.

Não. Você não é má pessoa por ser quem quer que a sua Voz Autêntica seja na única vida que você tem. Essa é uma daquelas coisas simples: se eles te amarem de verdade e incondicionalmente, eles com certeza vão parar para pensar e aceitar tudo assim que eles virem que você está feliz. Se você está feliz e eles ainda não aceitaram, é isso o que está acontecendo: esses sentimentos profundos sobre quem você deveria ser ou o que você deveria fazer são o mamute deles falando, e a principal motivação deles é se preocupar sobre como isso aparenta para “quem vê de fora”, sobre o que as outras pessoas que eles conhecem vão pensar. Eles estão deixando o mamute deles passar por cima do amor que eles sentem por você, e portanto deveriam ser sumariamente ignorados.

Duas outras razões pelas quais a obsessão medrosa do mamute com aprovação social não faz sentido:

A) Você mora aqui:

Então quem está pouco se fudendo sobre alguma coisa?

B) Você e todo o mundo que você conhece vão morrer. Tipo logo.

Então, tipo… pois é.

Os medos do mamute serem irracionais é uma das razões pelas quais o mamute tem um QI baixo. E aí vai a segunda razão:

2) Os esforços do mamute são contraprodutivos.

A ironia da coisa toda é que esse mamute, obsessivo e pesadão, não é nem bom no trabalho dele. Os métodos dele de ganhar aprovação podem ter sido efetivos em tempos mais simples, mas hoje em dia, eles são transparentes e desagradáveis. O mundo moderno é um mundo de Vozes Autênticas, e se o mamute quiser prosperar socialmente, ele vai ter que fazer a coisa que mais dá medo nele: deixar a VA assumir o controle. Eis o porquê:

VAs são interessantes. Mamutes são entediantes. Cada VA é única e complexa, o que é inerentemente interessante. Todos os mamutes são iguais: eles copiam e conformam, e as razões deles não são baseadas em nada autêntico ou real, apenas em fazer o que eles acham que têm que fazer. Isso é extremamente entediante.

VAs lideram. Mamutes seguem. Liderança é algo natural para a maioria das VAs, porque elas tiram os pensamentos e opiniões delas de um lugar original, que dá a elas um ângulo original. E se elas forem espertas e inovadoras o suficiente, elas podem mudar coisas no mundo e inventar coisas que perturbem o status quo. Se você dá um pincel com tinta e uma tela para alguém, pode até ser que esse alguém não pinte algo bom, mas essa pessoa vai modificar a tela de uma forma ou de outra.

Mamutes, por outro lado, seguem – por definição. É o que eles foram construídos para fazer: se misturar e seguir o líder. A última coisa que um mamute vai fazer é mudar o status quo, porque ele está tentando com tanto afinco em ser o status quo. Quando você dpa para alguém um pincel com tinta e uma tela, mas a cor da tinta é exatamente a mesma cor da tela, a pessoa pode pintar tudo que ela quiser, mas ela não vai mudar nada.

As pessoas gravitam em direção a VAs, não a mamutes. A única vez  que uma pessoa possuída pelo mamute é atraente em um primeiro encontro é quando ela está conhecendo outra pessoa possuída pelo mamute. Pessoas com VAs fortes vêem através das pessoas controladas pelo mamute e não se sentem atraídas por elas. Uma amiga minha estava saindo com um cara que era o estereótipo do “bom partido” faz um tempo, mas ela terminou as coisas porque ela não conseguia se sentir apaixonada por ele. Ela tentou articular por que, dizendo que ele não era estranho ou especial o suficiente, ele parecia apenas “mais um”. Em outras palavras, ele estava sendo operado pelo mamute demais da conta.

Isso também se aplica entre amigos ou colegas, onde gente comandada pela VA é mais respeitada e mais magnética – não necessariamente porque exista algo extraordinário nelas, mas porque as pessoas respeitam gente com a firmeza de caráter suficiente para ter domado seus próprios mamutes.

Step 3: Comece a ser você mesmo

Esse post estava tudo muito bom até que “comece a ser você mesma” apareceu. Até agora, isso aqui foi uma reflexão interessante sobre porque humanos se importam tanto com o que os outros pensam, porque isso é ruim, como isso é um problema na sua vida, e porque não existe motivo nenhum para que isso continue te atormentando. Mas de fato fazer alguma coisa depois que você acabar de ler esse artigo é algo totalmente diferente. É preciso mais do que reflexão – é preciso coragem.

Mas coragem contra o quê, exatamente? Como a gente falou, não existe perigo real envolvido em ser você mesmo – mais que nada, é só uma epifania ao estilo da Roupa Nova Do Rei, que é tão simples quanto isso:

Quase nada do que você tem medo socialmente é assustador de verdade.

Absorver esse pensamento vai diminuir o medo que você sente, e sem medo, o mamute perde um pouco do poder que ele exerce.

medium mammoth

Com um mamute enfraquecido, fica possível começar a defender quem você é e até a fazer algumas mudanças corajosas – e quando você vê essas mudanças darem certo para você com poucas consequências negativas e nenhum arrependimento, a epifania se consolida e uma VA empoderada vira hábito. Seu mamute então perde a habilidade de puxar as cordinhas, e está domado.

small mammoth

O mamute ainda está com você – ele sempre vao estar com você – mas vai ser mais fácil para você ignorar ou passar por cima dele quando ele se manifesta ou solta a voz, porque a VA é o cachorro alfa da matilha agora. Você pode começar a saborear a sensação de ser visto como alguém estranho, inapropriado, ou que deixa as pessoas confusas, e a sociedade passa a ser o seu parquinho e a sua tela em branco, não algo atrás do que se arrastar e de quem torcer por aceitação.

Fazer essa mudança não é fácil para ninguém, mas vale a pena se obcecar com isso. Foi concedida uma única vida para sua Voz Autêntica – e é o seu trabalho garantir que ela tenha a oportunidade de vivê-la.

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Se você se identificou com o problema e quer ajuda para superá-lo mais rápido, por que não marcar uma sessão de coaching? O coaching é uma ferramenta poderosa para levar uma pessoa do ponto A, onde ela se encontra, ao ponto B, onde ela quer chegar, em relação a diversos aspectos de sua vida pessoal ou profissional, aumentando sua consciência, responsabilidade e empoderamento, inclusive com relação às nossas crenças limitadoras.

Mande um email para be@free2exist.com e teremos prazer em conversar sobre seu caso.

Se você gostou dos textos do Wait But Why e não fala inglês, aí vai a lista dos artigos traduzidos ao português pelo nosso blog:

Domando o Mamute – Por que você deve parar de ligar para o que os outros pensam 

Por que os procrastinadores procrastinam
Como combater a procrastinação
A Matriz da Procrastinação

Se você lê bem em inglês, veja os originais do Tim Urban e muitos outros textos incríveis aqui:

waitbutwhy.com

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