A Matriz da Procrastinação

*Texto original do incrível Tim Urban, do blog waitbutwhy.com. Este post tem apenas a intenção de compartilhar as maravilhosas ideias do Tim com o público que não fala inglês. Leia o original aqui.

Nota: Para melhor entender este post, você deveria antes ler a Parte 1 do post anterior do Wait But Why sobre procrastinação

Quando eu estava cursando o ensino médio, se alguma vez você me perguntasse se eu era um procrastinador, eu teria respondido sim. Estudantes do ensino médio ouvem todas essas palestras sobre “controlar o seu ritmo” em projetos mais longos, e eu orgulhosamente controlava meu ritmo menos do que quase todo mundo que eu conhecia. Eu nunca perdia um prazo final, mas eu só fazia qualquer coisa na noite da véspera de entrega. Eu era um procrastinador.

Só que não. A escola é cheia de prazos finais regulares e projetos de curto prazo, e até os projetos de longo prazo tinham sub-prazos que forçam um ritmo sobre você. Houve uns poucos momentos terríveis, mas na maior parte das vezes, eu só estava fazendo tudo de última hora porque eu sabia que eu ainda poderia provavelmente ir bem daquela forma — então por que não?

Definitivamente tinha um Macaco da Gratificação Instantânea 1 na minha cabeça, mas ele mais fofo que qualquer outra coisa. Com prazos finais constantemente aparecendo, meu Monstro do Pânico 2 nunca estava completamente adormecido, e o macaco sabia que ainda que ele pudesse passar umas horas no timão cada dia, não era ele quem estava no comando.

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Um dia, a escola acabou, e com ela acabou também minha vida como uma pessoa que meio que age normalmente. A faculdade não é como o ensino médio. Os trabalhos são grandes, com muito tempo entre prazos, e já que você já não é mais uma criança, as aulas não te tratam como uma — ninguém te força a controlar o ritmo de nada. Como eu fazia curso de Ciências Políticas, a maior parte das minhas matérias envolvia uns dois trabalhos, um de metade de termo, e um exame final, que se estendiam por 4 meses, o que significa que na maior parte do tempo, não havia prazos difíceis em nenhum lugar no horizonte.

Sem prazos para ocupá-lo, meu Monstro do Pânico, que não consegue pensar muito lá para a frente, começou a passar muito tempo em hibernação. Meu Tomador de Decisões Racional, que nunca tinha percebido o quanto ele tinha contado com o Monstro do Pânico, começou a ter dificuldades para lever planos adiante.

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Quanto mais o Monstro do Pânico dormia, mais confiança o macaco ia ganhando. O Tomador de Decisões Racional, o único membro do cérebro que vê o mundo com clareza, estava preocupado — ele sabia que os trabalhos de faculdade são muito maiores que os trabalhos de ensino médio, e que controlar o ritmo não era mais algo de que se zombar, mas algo crítico a se fazer. Ele fincava o pé em relação a compromissos sociais quando um prazo começava a se aproximar, mas isso não resolvia o problema.


O TDR se afundava ainda mais em desespero, e só quando as coisas alcançavam o ponto mais terrível é que algo mudava.

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E não importava o quão óbvia uma decisão parecia para o TDR, estava ficando claro que ele era completamente incapaz de controlar o macaco sem a ajuda do Monstro do Pânico.

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Ao mesmo tempo que a faculdade era frequentemente uma experiência abatedora para o meu TDR, foi uma renascença completa para o meu Macaco da Gratificação Instantânea, que explorou uma ampla gama de atividades em um esforço para se auto-encontrar. Com um teclado Yamaha justo ao lado da minha escrivaninha, o macaco ficou cada vez mais apaixonado por tocar piano. Até parecia que as vezes em que o meu TDR estava batendo o pé o mais firmemente sobre ir trabalhar eram os exatos momentos em que o macaco se sentia mais animado a colocar os fones de ouvido e se perder por horas no piano.

Quando a faculdade acabou, empolgado por ter para sempre encerrado minha educação formal, que claramente não era minha praia, eu cheguei explodindo no mundo com 1.000 ambições para fazer 1.000 coisas. Esperem só até o mundo me ver. Eu tinha tudo o imaginável para oferecer, exceto conhecimento, habilidades, e ética de trabalho.

Meu TDR tinha pensado muito sobre isso, e ele entendia que o macaco tinha passado a faculdade tentando dizer a ele algo importante — Eu queria ser um compositor. Essa era claramente a coisa que eu estava mais inclinado a fazer e, finalmente, se tornaria a coisa que eu teria que fazer cada dia. Chega de lutar contra o macaco — ele ia ter exatamente o que ele queria. Eu tinha descoberto como funciona a vida, e eu me mudei para Los Angeles para compor trilhas de filmes.

Para poder pagar as minhas contas, eu comecei a dar aulas particulares para crianças e adolescentes, ajudando na lição de casa ou na preparação para o vestibular, um bico que eu escolhi porque não iria me distrair de me tornar o próximo John Williams. Era o esquema perfeito, eu estava repleto de entusiasmo com a música, e as coisas estavam começando a acontecer — quando a coisa mais estranha aconteceu. Justo quando eu tinha certeza de que eu tinha me encontrado, o macaco começou a querer se encontrar. Quando o TDR e eu sentávamos ao piano para compor alguma coisa — a exata atividade com a qual o macaco passou a faculdade obcecado — o macaco armava um barraco e se recusava a se juntar a nós. O TDR começou a se sentir desamparado, do mesmo jeito que se sentia na faculdade.

Enquanto isso, o macado tinha encontrado um novo interesse — ele tinha se obcecado pelo meu bico. Dar aulas particulares estava indo bem, as recomendações estavam aumentando, e mesmo que o TDR insistisse que a gente já estava trabalhando com muitos alunos, o macaco saía aceitando todos os novos trabalhos que aparecessem pela frente. Não demorou muito para o macaco começar a pensar grande, e sem consultar com nenhum de nós, ele começou a contratar meus amigos para dar aulas para mim. O TDR acordava ansioso para mergulhar fundo na composição, mas o dia todo era passado entre telefonemas e estar atolado em planilhas de excel. O macaco tinha criado um negócio.

Meu cérebro e eu fomos parar em uma desagradável terra de ninguém. O macaco se recusava a deixar que a gente se debruçasse sobre nossa carreira na música, e o TDR se recusava a comprar a nova carreira de negócios do macaco. Eu estava fazendo várias coisas e não me doando por completo a nenhuma delas.

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Foi por essa época que o meu melhor amigo Andrew se mudou para Los Angeles. O Andrew não é como eu. Ele vive e respira negócios, sem nenhum interesse em seguir qualquer tipo de carreira artística, e desde que eu o conheci quando tínhamos cinco anos, o macaco dele foi um cachorrinho adestrado que faz tudo o que mandam. Depois que ele se mudou, a gente começou a falar sobre talvez fazer algum tipo de sociedade nos negócios. Meu TDR tinha se recusado a levar negócios a sério até então, mas a perspectiva de abrir uma empresa com o Andrew e realmente colocar meu esforço total nela era sedutora — e o macaco estava claramente a fim, então talvez essa era a coisa que eu deveria ter feito o tempo todo. Eu decido mergulhar de cabeça, e construir a partir do que eu já tinha começado, e fundamos uma nova empresa de tutoria juntos.

O TDR ainda estava se debatendo contra a decisão de fazer uma pausa no lado musical das coisas, mas a empresa estava crescendo rápido, estar em sociedade com o Andrew era super legal — tipo jogar um jogo complexo de estratégia com seu amigo — e o TDR finalmente começou a se sentir ok em estar totalmente envolto em negócios.

O que foi a deixa para o macaco virar um blogger ávido.

Eu tinha estado escrevendo em um blog casualmente fazia uns anos, naquele ponto, mas o negócio ter decolado foi justo o que o macco precisava para alavancar seu novo hobby de escritor para a potência máxima, e no decorrer dos anos seguintes, eu escrevi centenas de posts de blog nas minhas horas vagas. Eu ia trabalhar todos os dias, e eu estava engajado enquanto eu estava lá — mas em vez de fazer o que um empreendedor tem que fazer fora do trabalho e manter a roda em movimento, remoendo a estratégia e permitindo que o subconsciente pingasse epifanias chave nele de tempos em tempos, eu ficava pensando em sobre o quê blogar.

Em 2013, quando o Andrew e eu decidimos começar algo novo, a gente olhou para o meu macaco, viu o quão absorto ele estava com o blog dele, e pensou que talvez aquela era a coisa que eu deveria ter feito esse tempo todo — então a gente começou o Wait But Why. O Andrew ainda continuaria a fazer nossa empresa crescer enquanto eu faria imersão total nesse novo projeto, dando ao macaco exatamente o que ele queria tanto.

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O que era procrastinação clássica na faculdade se metamorfoseou em uma bizarra forma de insanidade assim que eu entrei no mundo real. Em um nível micro, do dia-a-dia, ainda tinha sempre um elemento da coisa normal de “O TDR tenta fazer algo, o macaco torna isso difícil”. Mas em um sentido mais amplo, mais macro, era quase como se eu estivesse correndo atrás do macaco. Depois que ele me derrotou tão rotundamente na faculdade, eu me perguntei se lutar contra ele, pra início de conversa, era erro meu. Ele nasceu de alguma parte primitiva, interna de mim, então, não faria sentido prestar atenção nas inclinações dele e usá-las a elas como minhas guias?

Então foi isso que eu tentei fazer — quando ele ficava continuamente atraído por algo, eu eventualmente seguiria sua liderança e construiria a minha vida ao redor daquilo. Mas o problema é que ele era quase que como uma miragem —assim que eu chegava onde ele estava, ele já não estraria mais lá. Ele estaria em outro lugar. Isso era confuso — ele estava lá antes porque ele realmente queria estar, ou ele só estava lá porque era onde o TRD não estava? Ele realmente tinha paixões próprias, ou ele era apenas um contrariador elusivo e mau dentro de mim com uma missão de sempre me impedir de fazer algo grande com meus talentos e energias?

Ano passado, eu me deparei com esse diagraminha que eu acho que contém a chave para essas questões. Chama-se Matriz de Eisenhower:

A Matriz de Eisenhower coloca tudo o que você pode gastar seu tempo fazendo em dois espectros: um que vai da tarefa mais urgente possível até a menos urgente, e outro que vai das coisas criticamente importantes até a totalmente sem consequência — e usa-os como eixos, dividindo seu mundo em quatro quadrantes.

A matriz foi popularizada no famoso livro de Stephen Covey, Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazese foi batizada com o nome do presidente americano Dwight D. Eisenhower. Eisenhower era muito conhecido por ser tremendamente produtivo, o que Covey atribui a sua atitude “as primeiras coisas primeiro” em como gastar seu tempo. E para Eisenhower, as “primeiras coisas ” eram sempre as importantes. Ele acreditava que você precisa passar quase todo seu tempo nos Quadrantes 1 e 2, e ele realizou isso com uma simples palavra começada por D para cada quadrante:

E isso é fantástico para o Dwight Eisenhower do caralho. Mas você sabe o que o Dwight claramente não tinha na cabeça careca dele? Um todo-poderoso Macaco da Gratificação Instantânea. Se ele tivesse, ele saberia que a matriz de um procrastinador tem esse aspecto:

Se você precisar de qualquer tipo de informação sobre o Quadrante 4 — instruções de caminhos, lugares para comer, etc. — apenas pergunte a um procrastinador. Eles moram lá. Para um não-procrastinador, o Q4 é um lugar feliz para se passar o tempo. Depois de um dia produtivo trabalhando em tarefas importantes, é muito bom relaxar no Q4 — e nessas circunstâncias, o Q4 tem um nome: O Parquinho Feliz. Mas procrastinadores não tendem a passear pelo Q4 depois de um dia eficiente de trabalho de alto nível — eles estão lá muito mais frequentemente, contra a própria vontade, porque o macaco os arrastou para lá, enquanto o Tomador de Decisões Racional está implorando para eles irem embora. E eles têm um nome diferente para o Q4: O Parquinnho das Trevas.

E a respeito dos Quadrantes 1 e 3 — os quadrantes urgentes — a maioria dos procrastinadores vai acabar lá de tempos em tempos, geralmente pingando suor, com o Monstro do Pânico gritando na cara deles. O Q1 e o Q3 mantém o procrastinador longe das ruas.

E aí temos o Quadrante 2. Para um procrastinador, o Quadrant 2 é uma terra estranha e desconhecida, muito, muito longínqua. Tipo Atlântida, ou Narnia. Ele sabe que é um lugar importante, e ele tentou muitas vezes ir para lá, mas existe um grande problema — o macaco tem aversão a esse lugar, e o Monstro do Pânico não liga pra esse lugar. E essa é a combinação fatal que derrota o procrastinador cada vez.

A razão pela qual isso é desastroso é que a estrada para os sonhos do procrastinador — a estrada para expandir seus horizontes, explorar seu verdadeiro potencial, e realizar trabalho do qual ele realmente se orgulha — passa diretamente pelo Quadrante 2. O Q1 e o Q3 podem ser onde as pessoas sobrevivem, mas o Q2 é onde as pessoas prosperam, crescem e florescem.

Mas se você é um procrastinador, você está com sorte. Você tem um ás na manga — alguém ousado e destemido, com energia abundante e talento dinâmico, alguém que pode derrotar o macaco como quem pisa numa formiga: Seu Futuro Eu.

Seu Futuro Eu é o aliado mais impotante do procrastinador — alguém que está sempre ao seu lado e sempre te dá cobertura, não importa a situação. Eu sei tudo sobre isso de primeira mão. O Futuro Tim é um cara incrível.

Quando meu alarme dispara e eu não quero acordar, eu simplesmente aperto o botão de soneca, o que empurra o trabalho de sair da cama para o Futuro Tim em vez de mim. Minha lista de pendências tem duas partes — uma curta e fácil para mim, e uma longa, cheia de todas as coisas que nem me imagino fazendo, porque elas parecem tão nhaquentas3. O Futuro Tim sempre lida com essa parte, sem uma reclamação. O Futuro Tim também não tem problema nenhum nem com a pior das obrigações sociais. Recentemente eu fui convidado a participar de uma sessão de feedback para uma peça de 3 horas escrita por uma pessoa que eu mal conheço — Eu com certeza não tinha a menor intenção de ir, mas eu também teria me sentido culpado de simplesmente falar não, então eu expliquei que eu estava super ocupado nos próximos meses, mas que eu adoraria ir se a sessão acontecesse novamente no verão, uma época em que isso vai ser problema do Futuro Tim, não meu.

O Futuro Tim também tem a disciplina e o equilíbrio no estilo de vida dele com os quais eu sempre só pude sonhar. Eu nunca fui muito de me exercitar — mas o Futuro Tim é membro de uma academia e faz todo o cooper por nós dois, e eu amo o quanto o Futuro Tim curte cozinhar comida saudável, porque eu pessoalmente não tenho tempo. O Futuro Tim é o tipo de cara que todos nós queremos ser — eu sugiro que você o conheça por você mesmo, o que você pode fazer comprando um dos seus livros, já que ele é um prolífico autor.

Mas o papel mais importante que o Futuro Tim exerce na minha vida nos traz de volta à Matriz de Eisenhower. Em uma conveniente rajada de sorte, o Futuro Tim por acaso passa quase todo o tempo dele no único lugar onde eu aparentemente nunca consigo chegar: o todo-importante Quadrante 2. O Futuro Tim é o guardião do Quadrante 2, e quando eu faço uma lista de itens a fazer importantes e noto que a maior parte deles parece cair no Q2, eu não preciso me desesperar, porque eu sei que o Futuro Tim está com tudo sob controle. O que é bom, considerando o quão terrível é a situação em que o Tim do Passado, aquele inútil de merda, frequentemente tem me deixado:

Mas para todas as virtudes do Futuro Tim, ele tem um defeito fatal que meio que estraga tudo: ele não existe.

Ao que parece ser, o Futuro Tim é uma miragem tanto quando a paixão do macaco por um hobby. Eu depositei na existência do Futuro Tim no mundo real todos os meus planos mais importantes, mas cada vez que eu finalmente chegava em um tempo em que eu achava que eu ia achar o Futuro Tim, ele estava longe de ser encontrado — a única pessoa lá era o idiota do Tim do Presente. É isso que é um saco sobre o seu Futuro Eu — sempre que o tempo finalmente alcança ele, ele não é mais o seu Futuro Eu, ele é o seu Eu do Presente, e o seu Eu do Presente não pode fazer as tarefas que você designou para o seu Futuro Eu porque essas tarefas só podem ser feitas por alguém que não tem macaco. Você designou essas tarefas para o seu Futuro Eu para início de conversa porque ele não tem um macaco — era essa a ideia. Então você faz o que você sempre fez — você re-delega as tarefas para o seu Futuro Eu, na esperança de que da próxima vez que o tempo alcance o seu Futuro Eu, ele realmente exista.

Foi isso o que me deixou incapaz, durante anos, de dar à vida meu esforço total. O trabalho importante a ser feito geralmente vive no Q2, um lugar que eu achava difícil ir, então eu direcionava a energia extra para um hobby apaixonante, em vez disso. O macaco ficava super a fim desses hobbies, porque os hobbies ficam, por definição, no Q4 — um lugar em que o macaco ama estar.

Então aí está o que acontecia quando eu deveria estar seguindo uma carreira de compositor:

E quando eu decidi “seguir a liderança do macaco” e assumir um negócio, eu estava esquecendo o ponto principal: “assumir” negócios significava fazer dos negócios a coisa que eu deveria estar fazendo, o que transformou isso de tarefa não importante em tarefa importante — movendo “negócios” do Q4, o lugar favorito do macaco, ao Q2, o lugar que ele menos gosta.

O fato de que eu esperava que o macaco continuasse obcecado com negócios depois da mudança para o Q2 mostra o quão pouco eu entendia o macaco. A paixão do macaco nunca foi música, ou negócios, ou blogging — a paixão do macaco sempre foi o Q4.

E a coisa que o macaco gosta de verdade sobre o Q4 não é nada sobre o Q4 em particular — é que o Quadrante 4 não é o Quadrante 1 ou o 2. O macaco, cujo motor central é fazer o que quer que seja mais fácil, não suporta os quadrantes “importantes”, porque é nos quadrantes importantes onde está a pressão — é lá onde tem algo a ser provado, onde suas ações têm consequências, onde o que está em jogo é muito valioso, e onde você está mirando para acertar as estrelas, o que significa que você pode não conseguir alcançá-las. “Não, obrigado, TNC”, diz o macaco. Escrever 300 blog posts quando eu deveria estar sonhando alto com estratégias de crescimento de negócios brilhantes não era “fácil” no sentido de eu não ter que trabalhar duro para escrevê-los — era fácil no sentido de não ter nada em jogo. “Algo em jogo” é o que é realmente difícil para um humano.

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Quando eu comecei a escrever posts para o Wait But Why, eu sabia que eu queria escrever sobre procrastinação. Eu precisava tentar articular a loucura que se passava na minha cabeça. Após designar aquela temível missão para o Futuro Tim por um tempo, eu finalmente tomei vergonha e fiz.

A reação foi esmagadora. Além dos mais de 1.300 comentários nos dois posts, eis aqui um desglose dos emails que eu recebi dos leitores:

Foram milhares de emails. Aparentemente, essa coisa toda não acontece só comigo.

E os emails não são notas breves, tipo “Oi eu gostei dos posts sobre procrastinação tchau” — eles eram extensos. E sinceros, do fundo do coração. Um bom número deles mencionava que os posts tinham feito a pessoa chorar. E elas não estavam chorando porque elas estavam comovidas com meus desenhinhos toscos de homem-palito — elas estavam chorando porque elas estavam lendo sobre um dos maiores problemas da vida delas.

Os perfis das pessoas que me mandaram emails variavam muito, cobrindo todas as idades, todos os tipos de profissões, e chegando de quase todos os países do mundo. Eu li carta de uma pessoa de 13 anos no Paquistão, um professor universitário de meia idade na Argentina, uma enfermeira aposentada de 80 anos no Mississippi; um designer gráfico alemão, um autor australiano, um cineasta de Gana, um empreendedor da Coréia4. E os estudantes de PhD (doutorado) — hordas de estudantes de PhD — fazendo a tarefa mais importante do Q2.

De certa forma, essas pessoas todas têm o mesmo exato problema, e o mesmo problema que eu tenho — um Macaco da Gratificação Instantânea que eles não podem controlar. Mas eu percebi, depois de ler cada uma das histórias delas, que o jeito com que esse problema se estende a ponto de arruinar a vida delas varia drasticamente, dependendo de alguns fatores chave sobre as circunstâncias particulares de cada uma. Essa distinção coloca os leitores que me mandaram emails em três categorias5. :

1) Os Desastinadores

De todos os procrastinadores que tem por aí, os Desastinadores são que estão em pior forma. Um Desastinador tem acampamento permanentemente fincado no Quadrante 4, e a procrastinação está completamente destruindo a vida deles. Um procrastinador geralmente se torna um Desastinador por uma dessas duas razões:

A) O macaco deles parou de ter medo do Monstro do Pânico e ficou todo-poderoso

B) Eles são procrastinadores normais, mas estão numa situação de vida sem prazos finais externos ou pressão

A situação A é super tenebrosa, e como eu aprendi com os emails dos leitores, não é tão incomum. Essas pessoas perderam a habilidade de fazer quase tudo o que importa para elas e estão em uma espiral descendente ou desistiram inteiramente.

Na situação B, o Desastinador não é um procrastinador pior do que nenhum outro, é só que as circunstâncias dele são uma combinação catastrófica para a personalidade deles. A natureza da vida e do trabalho deles não dá ao Monstro do Pânico nenhuma razão para acordar, e infelizmente, o macaco não tem medo do Monstro do Auto-Aversão.

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O resultado é que a Desastinadora não chega a fazer nem a terminar nada, nunca. Muitos dos doutorandos que me mandaram email estão nessa categoria.

2) Os Impostinadores

A gente não falou muito sobre o Quadrante 3, mas ele pode ser o quadrante mais perigoso de todos, e é aí que o Impostinador reina absoluto. A vida do Impostinador tem esse aspecto:

A Impostinadora parece produtiva, mas é na verdade uma impostora — uma procrastinadora usando uma máscara de pessoa produtiva. Ao passar todo o tempo dela no Q3, ela parece ocupada — ela é ocupada — mas ela nunca parece fazer muitos progressos em relação aos objetivos reais dela.

Os Impostinadores têm macacos espertos, e o Q3 é o truque mais esperto do macaco. O macaco sabe que o TDR, que pode ser ingênuo, pode ser amansado se ele passar bastante tempo fora do Parquinho das Trevas do Q4. Então o macaco do Impostinador cria uma batalha que vai e vem entre o Q4 e o Q3, e isso funciona porque o Q3 dá sensação de produtividade ao Impostinador. Ele se apóia em uma das maiores ilusões do Impostinador — a de que “ocupado = produtivo”.

Então o Impostinador vai passar o dia inteiro respondendo emails, resolvendo tarefinhas, fazendo ligações telefônicas, organizando listas e cronogramas, participando de reuniões, etc. e se ele se julga pelo tempo passado fora do Parquinho das Trevas, ele é um sucesso esmagador. Mas no final do dia, a satisfação que ela sente tem uma pitada de vazio, e o Parquinho Feliz nunca é totalmente feliz. Ela pode ter se iludido pensando que está vivendo uma vida produtiva, mas no subconsciente dela, ela sabe que ela não está fazendo o que ela deveria estar fazendo. Os sentimentos dela de realização vêm junto com uma corrente subterrânea de desespero.

Na verdade, ela está vivendo numa grande e abrangente procrastinação, brilhantemente orquestrada pelo macaco dela. Em vez de tentar ganhar o cabo-de-guerra entre fazer o que importa — as coisas do Q2 — e o Parquinho das Trevas, o macaco da Impostinadora a engambela fazendo-a lutar no campo de batalha errado, e ele deixa que o TDR “vença” ele nesse campo de batalha, o que a leva a crer que ela está fazendo um bom trabalho.

A outra dificuldade que o Impostinador enfrenta é que às vezes o Q3 se disfarça de Q1. Um Impostinador ocupado frequentemente acredita que o trabalho urgente com o qual ele está consumido é importante, mas o problema com isso é o que o próprio Eisenhower falou do melhor jeito:

O que é importante raramente é urgente, e o que é urgente raramente é importante.

Em outras palavras, o Quadrante 1 frequentemente não existe. Não é sempre o caso, mas é especialmente provável que seja o caso para pessoas que ainda têm que pôr a carreira em marcha, porque geralmente quando o seu trabalho realmente importante também é urgente, significa que você já tem algo bom acontecendo. Isso cria um beco sem saída em que as pessoas que mais precisam de urgência para fazer as coisas — procrastinadores em princípio de carreira — são geralmente aquelas com um Quadrante 1 totalmente vazio.

Quanto mais o tempo passa, mais eu acho que “ser super ocupado” tende a significar “ter um Q3 lotado” (geralmente misturado com muito tempo no Q4). Eu sei que quando eu estou em um desses momentos onde eu estou falando para todo o mundo o quão ocupado eu estou e quão pouco tempo eu tenho para eles, é quase sempre porque eu estou superlotado com as besteiras do Q3. As pessoas que têm realmente o controle da vida delas — que estão realmente no controle — tendem a ter um monte de espaço no cronograma delas. Mas a sociedade sorri para as pessoas ocupadas, a frase “eu acho que você está com muito tempo livre” é um insulto, e isso deixa os Impostinadores aparentando — e geralmente sentindo — que eles estão fazendo tudo certo. E ainda que o Impostinador vá sempre se sentir superior ao Desastinador, a verdade é que em termos de produtividade real nas coisas que importam, os dois são iguais.

A maior lição aqui é ter cuidado com o Quadrante 3. O Q3 te agarra pelo cangote e te joga em uma esteira rolante de reagir às coisas. Não é um lugar de autocontrole. E se você não toma cuidado, o Q3 vai sugar toda a sua vida de você. Eu sei, porque eu passei muito da minha vida como Impostinador.

Dos muitos Impostinadores que me mandaram email, as profissões mais comuns foram artistas de algum tipo ou empreendedores. Em ambos os casos, você é o chefe da sua própria vida, e o trabalho importante para fazer — melhorar suas habilidades, aprofundar seu networking, executar uma visão criativa — é raramente urgente.

3) O Sucesstinador

Após passar a maior parte da minha vida me sentindo incapaz de me maximizar, desde que eu comecei o Wait But Why há um ano e meio, eu já escrevi mais de 250.000 palavras — o equivalente a 1.000 páginas de livro — e o que eu estou fazendo realmente importa para mim. Pela primeira vez, a satisfação da realização não vem com uma pontada de culpa ou vazio ou desespero. Eu fui lá e fiz! Eu sou um fazedor. 

Só que não.

A verdade é que eu não superei meus problemas macaquísticos nem um tantinho mais do que os Impostinadores e os Desastindores que me mandaram email — a grande diferença é, eu me coloquei numa situação em que eu tenho um grande e polpudo Q1 na minha vida. Não um Q1 falso que na verdade é um Q3 disfarçado — mas um genuíno Q1, e ele está lotado. A relação íntima que um blog tem com pessoas de carne e osso, da vida real — e a pressão que isso gera — transforma o trabalho importante do blogger em trabalho urgente, assim que existem leitores suficientes para fazer o Monstro do Pânico se interessar pelas coisas.

Para um procrastinador, isso é o oposto da do tipo de situação dos doutorandos, que eu descrevi como uma combinação catastrófica para um procrastinador. Escrever regularmente com uma audiência imediata é um exemplo de combinação incrível para a personalidade de um procrastinador, porque coloca o Monstro do Pânico no lugar ótimo — ele alinha o Monstro do Pânico com seu empenho mais importante.

Claro, meu macaco ainda está causando estragos em toda a minha vida de todo jeito que ele consegue — Eu reduzi a minha vida útil com a varada de noite que eu decidi fazer para terminar esse post. Mas existe uma distinção chave entre o que o macaco está fazendo agora e o que ele estava fazendo nos meus projetos anteriores. Com aqueles outros projetos, ele passava o tempo de Q4 dele indo atrás de projetos ambiciosos reais — e ele tinha autorização para fazer isso porque o TDR não tinha totalmente certeza do que ele queria, e ele questionava se o macaco estava realmente na pista de alguma descoberta com as distrações dele. Mas pelo menos até agora, trabalhar no Wait But Why tem tocado o gongo na orelha do TRD, porque ele realmente está passando bastante tempo por cima da linha da importância, então ele tem uma convicção sobre o empreendimento que antes ele não tinha. Por causa disso, ele fica deixando o macaco sapatear pelo Q4 e o Q3, principalmente porque ele não ter poder para impedir, mas ele não deixa o macaco assumir nada sério durante o tempo dele.

Eu não venci a procrastinação, mas por enquanto, pelo menos, eu estou no menos-pior tipo de situação de procrastinação — eu sou um Sucesstinador.

Uma Sucesstinadora meio que encontrou uma solução para os problemas dela, mas não é algo bonito, frequentemente não é saudável, e geralmente não é sustentável. É uma forma esperta de colocar silver tape numa máquina defeituosa para dar uma segurada por um tempo6.

Eu recebi vários emails de Sucesstinadores, e os padrões eram consistentes e faziam com que eu me identificasse, na minha atual situação. Um Sucesstinador pode estar feliz com a vida dele, mas geralmente não é feliz na vida dele. E isso é porque ser um Sucesstinador não faz de você um sucesso. Alguém que faz algo bem profissionalmente às custa de equilíbrio, relacionamentos e saúde não é um sucesso. O sucesso real significa ter tando a vida profissional quanto o estilo de vida funcionando bem e em harmonia — e as Sucesstinadoras estão estressadas demais, indisóníveis demais e frequentemente totalmente privadas de tempo no Parquinho Feliz, que é um componente crítico de uma vida feliz. Um Sucesstinador também está limitado en suas possibilidades profissionais — grandes trabalhos podem ser feitos no Q1, mas geralmente eles estão mais para a manutenção das coisas. O Q2 ainda é onde a maior parte do crescimento profissional e do pensamento fora da caixa acontecem, e como todos os procrastinadores, os Sucesstinadores raramente pisam no Q2.

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Existem problemas maiores no mundo do que a procrastinação. Coisas como pobreza, doenças, problemas mentais e vício fazem a procrastinação parecer notoriamente um problema dos privilegiados — algo para ter com o que sofrer para gente cujas vidas não tem sofrimento real.

Mas se um cético passasse algumas horas lendo a montanha de emails relacionados com procrastinação que eu recebi, eu acho que ele ou ela concordaria que esse é um problema bem grave em muitas, muitas vidas. E ele não só afeta o procrastinador — machuca a vida das pessoas próximas ao procrastinador, alastrando o efeito.

Também é uma perda para o mundo. Para cada Steve Jobs ou John Lennon ou J.K. Rowling ou qualquer outras pessoas cujos talentos melhoraram as nossas vidas, exitem milhares de pessoas com tanto potencial quanto, que nunca realizaram muito para o mundo porque eles desperdiçam o tempo deles nos quadrantes errados.

Uma forma de se encarar isso é que cada vida humana tem um certo número de “pontos do tempo”, e cabe a você como você “gasta” os seus. Consideremos as diferenças entre alguém que passa 30 horas por semana no Q2 e alguém que só consegue passar dua horas por semana no Q2. Já que o Q2 é, para muitos, onde o avanço real acontece, em todo o curso da vida delas, a pessoa das 30 horas vai ter realizado 15 vezes mais com a vida dela do que a pessoa das 2 horas. E na verdade, a multiplicação é provavelmente ainda maior do que 15, já que progresso se constrói sobre progresso, e o ritmo pode acelerar (ex: O Steve Jobs não teria realizado 1/15 do que ele realizou se ele tivesse dedicado 1/15 das horas produtivas — ele provavelmente não teria realizado nada). A distinção entre uma pessoa comum e uma pessoa extraordinária pode simplesmente se reduzir às diferenças de como elas alocam os pontos de tempo delas.

Superando a ilusão

Se a gente quiser melhorar nosso gasto de pontos de tempo, o primeiro passo é aprender a ver o mundo sob a clareza límpida da Matriz de Eisenhower — o que significa se livrar de qualquer tipo de auto-ilusão. A gente precisa desenvolver definições bem-pensadas de urgente importante, que vão ser diferentes para cada um e requerem uma investigação profunda na pergunta altamente pessoal: “O que é mais importante para mim?”

Brett McKay define “tarefas importantes” como coisas que contribuem para os nossos valores, objetivos e missões de longo prazo. Isso é amplo e direto e uma boa frase-cerne para se voltar a ler quando estamos analisando importância ao longo do caminho.

O processo de pensamento sobre o que é ou não é urgente deveria girar em torno da auto-discussão sobre o que é importante. Idealmente, urgente não deveria significar: “A coisa que está me enforcando mais forte”— deveria ser definido por aquela, dentre as tarefas importantes na sua lista, te beneficiaria mais ao acontecer logo em vez de mais pra frente. Usando essa definição, passar tempo com seus filhos certamente se classificaria como urgente, enquanto que sob a típica definição de urgente relacionada a prazos, se classificaria como “não urgente”. Em outras palavras, a ordem das suas prioridades fica muito melhor quando organizada pelo seu TDR, não pelo seu Monstro do Pânico. A sabedoria reside no TDR, e quando o descabeçado do Monstro do Pânico dá as ordens sobre o que é urgente e o que não é, você tira a sabedoria do TDR do jogo.

Também seria bom coletar informações brutas sobre como você está gastando seus pontos de tempo atualmente, listando as suas horas para a semana que vem e vendo quantas delas recaem em cada um dos quadrantes (você provavelmente vai ter uma surpresa desagradável com os resultados).

Tornando-se o chefe do seu cérebro

Assim que você sentir clareza sobre a sua Matriz de Eisenhower e sobre onde estão as várias fronteiras dela, você vai precisar fazer a parte difícil e ganhar controle sobre como você gasta seus pontos de tempo dentro dela. O que, para um procrastinador, é o maior desafio da vida.

As recompensas de ganhar controle são óbvias. É incrível o quanto uma pessoa consegue fazer — enquanto também mantém um estilo de vida balanceado — se ela está em controle do gasto dos pontos de tempo dela. E aqueles que não estão no controle vão perder a maioria dos pontos de tempo deles para o Q3 e o Q4 e sentir que eles não tem tempo nem para o trabalho nem para o estilo de vida deles, tudo isso ao mesmo tempo em que estão realizando pouquíssimo. A alocação dos ponto de tempo é tudo.

Uma procrastinadora em becos desesperados pode dar meio passo na direção certa através do método de força bruta de rearranjar a sua vida de forma a fazer dela uma Sucesstinadora. É aí onde eu estou agora, e é mil vezes melhor do que onde eu estava antes.

Mas é como contratar um guarda-costas em vez de aprender a lutar. O real objetivo de um procrastinador deve ser o de descobrir como tornar-se o chefe de seu cérebro. A realidade de um procrastinador é que seu eu interno — seu Tomador de Decisões Racional — é o grão-mestre da vida dele em teoria, mas na prática é apenas um espectador. O TDR da procrastinadora vai, desamparadamente, onde as ondas o levam, jogado de atividade em atividade pelas forças primitivas do macaco e do Monstro do Pânico. Até que o TDR de um procrastinador possa caminhar, sozinho, do Q4 ao Q2, sempre que quiser, ele não está consertado.

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Se você procurar no Google “como acabar com a procrastinação”, você vai achar uns 1.000 artigos, todos oferecendo conselhos maravilhosos em como fazer. O problema é que os artigos são sempre escritos por pessoas sãs, e os procrastinadores não são pessoas sãs. Sendo insanos, os procrastinadores estão sempre sob a ilusão de que eles são sãos, então eles lêem um artigo de conselhos e acham que eles vão ser capazes de aplicá-los à vida deles. Mas aí não funciona dessa forma.

Antes de que uma procrastinadora possa agir a respeito de um bom conselho, ela precisa ter controle. Um piloto de carro de corrida pode receber todo o coaching do mundo, mas se quando a corrida começa é outra pessoa quem está no controle do volante e dos pedais, todo o coaching é inútil.

E é por isso que a única forma de um procrastinador assumir o timão é se a profecia auto-realizável dele — a linha narrativa dele — disser que ele pode. E linhas narrativas só mudam com ação no mundo real. É bem um caso do ovo e da galinha.

Em seu nível mais profundo, isso se reduz a uma batalha de autoconfiança. O TDR e o macaco têm, cada um, a própria ideia sobre como gastar os seus pontos de tempo, e aquele que for o mais autoconfiante — aquele que tiver uma crença mais forma de que ele é o alfa no relacionamento — acaba prevalecendo. A diferença entre um procrastinador e um não-procrastinador é simplesmente que ambos, o macaco e o TDR do procrastinador, acreditam que o macaco é o alfa, e o par do não-procrastinador acredita que quem manda é o TDR.

Mas mesmo que esses níveis de autoconfiança pareçam firmemente arraigados, o macaco e o TDR compartilham um único espaço de autoconfiança com uma soma fixa — quando a autoconfiança de um sobe, a do outro desce — e o equilíbrio pode começar a inclinar pelas menores mudanças, levando sua linha narrativa com ele.

Descobrir qual é o ponto de partida desse paradoxo do ovo e da galinha é a busca pessoal de cada procrastinador. Mas um ponto de partida universal é tentar permanecer consciente o tanto quanto possível. Consciente do que é importante, do que é urgente, e mais importantemente — consciente da existência do macaco. O macaco não é seu amigo, e ele nunca vai ser. Mas ele também é parte da sua cabeça e impossível de se livrar, então crie o hábito de notá-lo. Quando você acordar de manhã, ele vai estar lá. Quando você sentar para trabalhar, ele vai estar lá. Sempre que você precisar desesperadamente reunir toda a coragem e força de caráter que você conseguir reunir, ele vai estar lá para tirar toda a sua coragem e força de caráter de você.

Mas ele prospera a partir do inconsciente. Simplesmente notando a presença dele e dizendo a si mesma: “Sim, aí está o macaco, bem na hora”, você pode começar a inclinar o equilíbrio para um lugar diferente do estado habitual. E aí talvez um dia, você vai se pegar, com ar de indiferença, empurrando o macaco para longe do timão com o mais simples dos “Não macaco, agora não”. E sua vida vai ter mudado para sempre.

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Se você se identificou com o problema e quer ajuda para superá-lo mais rápido, por que não marcar uma sessão de coaching? O coaching é uma ferramenta poderosa para levar uma pessoa do ponto A, onde ela se encontra, ao ponto B, onde ela quer chegar, em relação a diversos aspectos de sua vida pessoal ou profissional, aumentando sua consciência, responsabilidade e empoderamento, inclusive com relação à procrastinação.

Mande um email para be@free2exist.com e teremos prazer em conversar sobre seu caso.

Se você gostou dos textos do Wait But Why e não fala inglês, aí vai a lista dos artigos traduzidos ao português pelo nosso blog:

Domando o Mamute – Por que você deve parar de ligar para o que os outros pensam 

Por que os procrastinadores procrastinam
Como combater a procrastinação
A Matriz da Procrastinação

Se você lê bem em inglês, veja os originais do Tim Urban e muitos outros textos incríveis aqui:

waitbutwhy.com

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